O Ministério da Saúde publicou, em 2007, uma pesquisa que revelou que as quedas – principalmente em casa – são responsáveis por dois terços das mortes em idosos. O número de internações na rede pública, em razão de fraturas do fêmur – geralmente causadas por quedas -, cresceu 37% entre 2000 e 2007.
Outra pesquisa que chama atenção é a publicada no início deste ano, realizada em conjunto pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, e a Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz. Entre os idosos que sofreram quedas, 65,7% caíram em casa e, entre estes, 68,6% tiveram fratura de fêmur, sendo que 99% dos fraturados precisaram se submeter à cirurgia.
O ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças, Dr. Renato Raad, explica que uma das principais causas dessa prevalência é o fato de, com o avanço da idade, o corpo ter menos massa muscular e, portanto, menos força. “O equilíbrio e o desgaste das articulações – que faz com que a pessoa ande cambaleando e arrastando os pés, também contribuem para as quedas”, diz.
Ao cair as consequências mais comuns são fraturas de coluna vertebral, de punho e fêmur. Dr. Raad alerta que fraturas de coluna e punho, além de dor, causam deformidades e prejudicam a funcionalidade do corpo. “Após uma fratura do terço proximal do fêmur, não importa o tratamento utilizado, 30% dos idosos acima dos 80 anos morrem em um ano e, 80%, em cinco anos. Além disso, apenas 60% voltam a andar normalmente”, alerta.
Frequentes em idosos também são as doenças de coluna e articulações, como artrose, artrite e osteoporose, resultado da descalcificação progressiva dos ossos, diminuição da mobilidade e desgaste das articulações.
Ambientes adaptados
O Dr. Raad ressalta que, para evitar que idosos sofram quedas, é importante a adaptação dos ambientes nos quais eles se movimentam:
- Em casa, a maioria das quedas acontece ao levantar da cama. Para que o idoso consiga sentar-se na beira da cama e apoiar os pés no chão é necessário que a altura do móvel – incluindo o colchão – seja de 45 a 50 cm. A cama deve ficar encostada na parede e, próximo a ela, deve haver um interruptor de luz. O uso de grades também é indicado.
- Luzes de emergência noturna devem ser instaladas em cômodos, como banheiro, cozinha e corredores.
- Dentro do quarto é importante que haja uma poltrona ou sofá para que o idoso tenha apoio ao vestir-se.
- Móveis baixos, como mesas de centro, devem ser evitados e os ambientes precisam ser o mais livre possível de obstáculos.
- Tapetes, se forem necessários, devem ser fixos, e os pisos, antiderrapantes.
- Quinas de móveis, bancadas e passagens devem ter proteção.
- Principalmente nos banheiros, não colocar prateleiras de vidro e superfícies cortantes.
- Barras de segurança dentro do box e ao redor do vaso sanitário são recomendadas.
- Corredores e particularmente escadas devem ter corrimão.
- Fora da casa, para evitar escorregões, o piso deve ser áspero e, os caminhos, com marcações, acessos fáceis e sem barreiras. A iluminação tem que ser clara, contínua e uniforme.