Nova tendência, energia solar é alvo do investimento estrangeiro

Mikio Kawai Jr. é economista, especialista no mercado de energia Divulgação

O que acontece é que, muitas vezes, o investidor estrangeiro vem ao Brasil com o objetivo de produzir energia, sabe como empreender, sabe montar o parque gerador, mas não tem conhecimento sobre o mercado local. Ou seja, não sabe como comercializar a energia que produz. E é aí que entra uma palavra-chave no setor energético: gestão. Especialmente longe dos grandes centros econômicos, o empreendedor encontra dificuldades para gerir seu negócio e até para encontrar uma empresa especializada em fazer essa gestão. Afinal, são poucas as companhias capacitadas atuantes no mercado de energia, com atuação abrangente de todo o território nacional.

A tendência pelo investimento em energia solar ainda é foco de alguns pertinentes questionamentos, e o custo mais alto às empresas, na comparação com as fontes convencionais, como água e carvão, é o principal deles. Recentemente, a Alemanha, uma das grandes potências econômicas mundiais, decidiu abolir a produção de energia nuclear, muito mais agressiva ao meio ambiente, e migrou para a geração de energia solar. Lá, o aumento dos custos foi bem aceito, mas, dificilmente, teríamos essa reação aqui no Brasil, tanto por parte da indústria quando por parte do consumidor final, que fatalmente teria os gastos afetados.

Vivendo tal cenário cultural e econômico, é preciso tomar muito cuidado para que a energia solar não sofra com os mesmos erros de estrutura cometidos com a energia eólica, outra fonte sustentável e grande sucesso nos últimos leilões. Depois de construídas, sobretudo na região Nordeste, várias usinas eólicas deixaram de ser colocadas em atividade por falta de linhas de transmissão e subestações. Em alguns casos, não houve sequer o início das obras, o que resultou na seguinte situação: plantas que poderiam produzir energia suficiente para abastecer estados inteiros estão inutilizadas e os consumidores finais, ameaçados por racionamentos e mais apagões como o que atingiu a região em agosto.

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