Caçador de tendências: o que isso tem a ver com a arquitetura?

Que o arquiteto, o decorador ou designer tenha que estar atento às tendências do segmento não é nenhuma novidade. Mas se ao invés disso ele se propor também a ser uma espécie de “caçador dessas tendências”? Essa seria uma boa definição para o termo coolhunting. Especializada no assunto, a arquiteta Marcia Campetti, há quase 20 anos, é uma dessas pesquisadoras que busca, estuda, participa de grupos colaborativos e de troca de informações.

Segundo a profissional, o termo coolhunting tem relação com movimento e com ação, não sendo um estudo apenas teórico ou estático. O coolhunting engloba uma ação específica de movimento, de busca de informações, de caçar tendências mesmo.

Mundialmente existem os caçadores de tendências, que são chamados de “coolhunters”. E o termo se aplica aos mais diversos segmentos, como na moda, na gastronomia, na música e na arquitetura e decoração, sendo o seu uso mais conhecido na moda vestuário. Esses caçadores saem pelas as ruas em cidades já pré-determinadas – as cidades monitoradas – com uma máquina fotográfica na mão e ficam analisando detalhes, comportamentos, elementos curiosos e padrões que se repetem, as chamadas “anomalias”. Uma equipe recebe essas informações mundiais e analisa, estuda os fenômenos para entender o que pode se tornar tendência dali algum tempo.

Mas hoje com a internet existe também muita troca de informação por meio de grupos colaborativos. “Hoje, existe uma democratização bem interessante nessa troca de informações. Existem sites abastecidos com imagens do mundo todo onde o profissional pode se “alimentar” dessas informações, dessas anomalias”, diz Marcia. E para aplicar todo esse conhecimento na arquitetura, a profissional acaba fazendo um trabalho diferenciado. Além dos grupos colaborativos, Marcia pesquisa em filmes, revistas e sinais do dia a dia buscando sempre pela composição de cores, texturas, volumes e elementos que possam criar um diálogo interessante entre si.

“Nosso trabalho no escritório é escutar primeiro a expectativa do cliente para então apresentar a novidade. Tudo é minuciosamente explicado com a devida justificativa sobre o porquê da cor, do material, da composição, da combinação dos diferentes elementos, a fim de se construir um ambiente com a identidade própria do proprietário, mas também antenado com as principais tendências utilizadas ao redor do mundo”, explica.

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