Vereador organiza palestra sobre saúde ocular na infância

O vereador Lórens Nogueira (PP) convidou a oftalmologista Tânia Mara Cunha Schaefer, para participar da Tribuna Livre, na Câmara Municipal de Curitiba, falando sobre saúde ocular.  De acordo com ela, que também é presidente da Academia Brasileira de Controle da Miopia (Abracmo), controlar a miopia hoje significa reduzir significativamente o risco da demência de amanhã. A especialista destacou o impacto social e econômico da miopia, considerada uma epidemia silenciosa de saúde pública.

“A condição já atinge 18% das crianças brasileiras e cresce em ritmo acelerado. Sem ação imediata, 65 milhões de brasileiros serão míopes até 2050, transformando esta questão em uma das maiores crises de saúde pública da nossa história”, afirmou Tânia Schaefer. Os custos diretos e indiretos associados à doença podem chegar a R$ 96 bilhões ao ano, o equivalente a 1% do PIB nacional. 

A médica enfatizou que a miopia não deve ser tratada apenas como distúrbio de visão, mas como fator de risco para doenças graves, como descolamento de retina, glaucoma e degenerações maculares. Também destacou a relação entre saúde ocular e declínio cognitivo: “92% dos casos de demência estão relacionados à perda da visão. Preservar a visão é preservar a autonomia e a dignidade no envelhecimento”.

Entre as medidas de prevenção, Tânia Schaefer citou a redução do tempo de telas digitais e a maior exposição das crianças à luz solar. Ela apresentou a experiência de Taiwan, onde a inclusão de 120 minutos diários de atividades ao ar livre em escolas resultou em queda expressiva nos índices de miopia infantil. “É importante que haja uma preocupação da saúde pública e das autoridades nesse sentido”, reforçou. 

A presidente da Abracmo apresentou alternativas de tratamento, como lentes oftálmicas especiais, colírios e a ortoceratologia, que é o uso de lentes noturnas que remodelam a córnea. Também ressaltou a importância do diagnóstico precoce em crianças com histórico familiar de miopia. “Hoje nós temos condições de tratar até crianças pré-míopes, reduzindo significativamente a progressão da doença”, explicou.

Para a especialista, políticas públicas são essenciais para garantir acesso universal às soluções já disponíveis. “As crianças que podem comprar óculos ou colírios já têm opções, mas precisamos que o poder público encontre caminhos para atender aquelas que não têm condições financeiras”, afirmou Schaefer.

Ao encerrar a Tribuna Livre, Lórens Nogueira destacou a relevância do tema e informou que já está em diálogo com a Secretaria Municipal da Saúde e com o prefeito Eduardo Pimentel para propor ações legislativas de prevenção. “Tendo a prevenção, nossas crianças certamente terão um futuro com menos impactos”, declarou.

Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

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