Concorrência com o consórcio e aumento da procura por imóveis econômicos. De acordo com a gerente da Senzala Imóveis, Augusta Coutinho Loch, estes devem ser os principais reflexos para o mercado caso seja aprovado o projeto de lei nº 375, de 2009, que permite que pais utilizem os recursos de contas vinculadas ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para financiamento de habitação aos filhos, deste que estes tenham mais de 21 anos, vínculo matrimonial ou união estável e que não possuam imóvel próprio.
Segundo Augusta, aproximadamente 30% dos clientes da imobiliária se enquadram nestas condições. Entretanto, a estimativa é de que apenas 10% deles tenham pais com intenção ou condições financeiras de comprar um imóvel ao filho. “A grande maioria deste público é de estudantes de outras cidades ou Estados, sem renda própria, e os pais preferem optar por uma locação, com valor máximo de R$ 1 mil por mês, até que o filho se estabilize no curso que escolheu cursar ou fixe residência no novo local. Só então a compra de um imóvel é cogitada”, explica.
A gerente da Senzala diz ainda que, no caso do filho assumir a compra do próprio imóvel, a forma de pagamento preferencial é o consórcio. “A grande vantagem desta modalidade de crédito é a não exigência de comprovação de renda, além de ser uma alternativa para o filho economizar o dinheiro do estágio, já que normalmente os pais pagam todos os custos fixos. Desta forma, até o término da faculdade, ele terá pago uma boa parte do valor do imóvel, sem os juros do financiamento”, conta Augusta. O projeto de lei prevê o uso do FGTS para pagamento de prestações, amortização extraordinária ou liquidação do saldo devedor, mas apenas para casos de financiamento habitacional.
Para a gerente, a nova regulamentação irá incidir diretamente no crescimento da demanda por apartamentos com valor entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, com um ou dois quartos, situados na região central da cidade e em seu entorno. “Esta é a faixa de valor mais comum na venda de cartas de crédito e que prevê parcelas que os jovens poderiam pagar. Porém, hoje é difícil encontrar um imóvel com este perfil e nesta localização em Curitiba”, destaca Augusta. Segundo dados da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), a disponibilidade de imóveis novos sobre a oferta lançada para apartamentos, na região, é de apenas 5%.