Brasileiros comprometem em média 25,8% da renda com aluguel

Um levantamento feito pelo Quinto Andar, em parceria com o Cedeplar/UFMG, mostra que os brasileiros comprometem em média 25,83% do orçamento familiar com o pagamento de aluguel. O percentual, no entanto, é significativamente maior entre famílias de baixa renda — chegando a quase 50% entre aquelas que vivem com até R$1.908 por mês. O estudo aponta ainda que, embora o valor absoluto destinado ao aluguel cresça nas faixas de renda mais altas, o impacto percentual no orçamento é reduzido, refletindo maior capacidade financeira dessas famílias.

Para o especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino, o levantamento é bem-vindo, mas precisa ser interpretado com cautela. Ele também chama atenção para os dados das rendas mais altas: Para renda acima de R$23.850, o gasto médio é de R$3.748,39 com aluguel. Isso merece cuidado. Pessoas nesse estrato muitas vezes são proprietárias; quando alugam, tendem a buscar imóveis de padrão superior.

Claudino reforça que os dados são úteis tanto para políticas públicas quanto para o setor privado, desde que haja clareza metodológica. “Esse estudo sinaliza pressão real na base da pirâmide e é útil para políticas de Estado, como o aluguel consignado ou MCMV. A pesquisa também é importante para empresas que atuam no setor — especialmente por parte de empresas de locação e serviços ao investidor em imóveis para locação”. Contudo, é indispensável transparência metodológica (denominador, amostra por praça, ‘deflatores’) e comunicação clara entre médias e extremos. Sem isso, corremos o risco de transformar um pico regional em regra de mercado — e precificar, conceder crédito ou desenhar produtos sobre premissas frágeis.

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