Um levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) em 2012 revelou que, cerca de 15 milhões de crianças em idade escolar, sofrem de problemas de visão (como miopia, hipermetropia e o astigmatismo). Outro dado, este da Agência Internacional de Prevenção à Cegueira, ligada à OMS, aponta que, no Brasil, 33 mil crianças são cegas por doenças oculares que poderiam ter sido evitadas ou tratadas precocemente, e que pelo menos 100 mil têm alguma deficiência visual.
A oftalmologista Tania Schaefer alerta que problemas oculares na fase escolar podem influenciar o comportamento e o desempenho acadêmico. “Problemas comuns de visão podem ser facilmente diagnosticados através de um exame oftalmológico completo. Mas se não forem tratados, podem interferir no desempenho geral, trazendo problemas não apenas de aprendizado, mas também de autoestima e de inserção social”, afirma a médica. O exame oftalmológico na infância também é essencial para detectar doenças mais severas que podem levar à perda da visual.
Alguns sinais podem ser percebidos pelos pais e professores. Crianças com miopia costumam se aproximar muito dos objetos para enxergar melhor. Quando têm dificuldade para ver de longe, chegam a evitar brincadeiras ao ar livre. Para as que apresentam hipermetropia, os indícios são cansaço, sonolência e desatenção nos momentos de leitura. Já o relato de que a visão está embaralhada, pode indicar um quadro de astigmatismo.
Dependendo da idade, a criança pode achar que não enxergar de longe ou um pouco embaçado é normal. Quando a alteração ocorre em apenas um olho, fica ainda mais difícil ao leigo perceber o problema. “Por isso sempre reforçamos a importância do exame, para que ocorra o diagnóstico e tratamento precoce, algo essencial para evitar o comprometimento da visão de maneira irreversível”, finaliza Tania Schaefer.