Construção de 5,7 mil moradias gera 2,4 mil empregos

“As obras vão gerar benefícios permanente para as famílias que serão atendidas com as unidades e reforçam a economia da cidade, com emprego e renda para os trabalhadores”, diz o prefeito Luciano Ducci.

As obras estão sendo feitas por meio de parceria entre a Prefeitura, Cohab e Caixa Econômica Federal, que gerencia o programa do Minha Casa, Minha Vida em todo país. Em Curitiba, a implantação do programa prevê a concessão pelo município de incentivos fiscais e construtivos para projetos destinados a famílias com renda de até seis salários mínimos – a chamada faixa de interesse social.

Participam do programa nesta faixa 11 empreiteiras, com obras nos bairros do Ganchinho, Tatuquara, CIC, Santa Cândida, Alto Boqueirão e Cachoeira. Elas tocam 24 projetos, que representam um total de 5.784 unidades. Destas, 2.965 vão atender famílias com renda de até três salários mínimos mensais e 2.824 irão para famílias com rendimento entre três e seis salários mínimos.

Nos 24 canteiros, estão trabalhando 2.453 operários – empregos diretos gerados pela obra. Se considerados os empregos indiretos, levando em conta a cadeia produtiva da construção civil como, por exemplo, a indústria e o comércio de materiais e insumos, o benefício gerado pelas obras pode chegar a cerca 10 mil trabalhadores, de acordo com critério adotado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que estima que para cada emprego direto no setor são criados mais quatro indiretos.

Além dos canteiros em Curitiba, a Cohab também tem parceria no município de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana, onde há um empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida em construção, com 501 unidades. O projeto, denominado Moradias Jardim Europa, está sendo executado em uma área de propriedade da Companhia. Ali, trabalham mais 190 operários.

Mão de obra – Para as construtoras envolvidas no programa na faixa de interesse social, as obras coincidem com um período em que o setor está aquecido e, por isso, algumas empresas estão buscando mão de obra em outros municípios. “A rotatividade é grande e muitas vezes temos que treinar o trabalhador sem qualificação para dar rapidez aos projetos”, relata Miguel Murad, da construtora AM-5, que detém o maior número de obras na parceria Prefeitura – Cohab – Caixa: são 2.060 unidades no bairro do Ganchinho.

O engenheiro Fernando de Souza Klas, da F Klas Obras e Saneamento, responsável pela construção do Moradias Jardim Europa, recorreu a cidades vizinhas para preencher as vagas no canteiro que administra. E introduziu outra inovação: contratou 25 mulheres para executar serviços como pintura, chapisco, emboço e rejunte. “Elas são mais caprichosas e estão se saindo muito bem”, conta.

Murad, da AM 5, também irá adotar esta solução quando o estágio de obra nos projetos de sua empresa chegar à fase de acabamento. “Para algumas tarefas, a qualidade mão de obra feminina é superior à masculina. Enquanto eles ganham na força física e na resistência ao trabalho mais pesado, elas levam a melhor no detalhe. Além disso, a obra fica mais limpa e organizada”, diz.

Na Construtora Veloso, que está fazendo 727 unidades nos empreendimentos Moradias Boa Esperança I, II e III, no Tatuquara, a presença feminina no canteiro não é novidade. Lá, elas são 30 e representam cerca de 10% da força de trabalho. E estão dando conta do recado. “Elas são mais dedicadas e comprometidas, não fogem do trabalho”, fala o engenheiro Leonardo Vargas de Camargo.

Para abrigar as mulheres, as empresas têm de fazer algumas modificações no canteiro de obras, colocando banheiros e vestiários extras. Um dos desafios impostos pela diversidade de gêneros na obra é estabelecer um clima de respeito e harmonia. Mas isso, segundo Andrea Lima dos Santos, 28 anos, que trabalha no Moradias Boa Esperança, não tem sido problema. “O ambiente de trabalho é bom”, conta ela que faz questão de aprender coisas novas a cada dia.

Andrea foi contratada para trabalhar na limpeza da obra, mas hoje faz serviços como pintura e emboço e não quer parar por aí. “Pretendo trabalhar como azulejista”, planeja. Para ela, a principal vantagem do emprego é a remuneração, em torno de 1,5 salário mínimo. Antes, ela trabalhava como caixa de supermercado e o rendimento era menor.

O salário foi também o que atraiu Sionilde de Oliveira Correia e Simone Correia, mãe e filha, para a obra do Boa Esperança. “Para quem tem pouco estudo como nós, o emprego na construção civil é uma oportunidade para ganhar melhor”, explica Sionilde, que tem apenas a 4ª série do ensino fundamental. Simone estudou até a 6ª série. As duas, assim como Andrea, tem projetos para o futuro na construção civil: querem ser azulejistas para conseguir uma remuneração maior.

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