Se a música é considerada, por muitos, a arquitetura do tempo, a arquitetura do morar pode ser interpretada como a música do espaço. Quando essas duas expressões artísticas se encontram, nascem ambientes que não apenas abrigam, mas que também contam histórias e despertam emoções. É nesse diálogo entre sons e formas que a arquiteta Isabella Nalon acredita. Nos projetos que realiza, quando sabe do apreço do morador pelos instrumentos musicais, ela faz questão de posicioná-los com o seu devido destaque. “A música tem a capacidade de transformar um ambiente em experiência. Não se trata apenas de decorar, mas de expressar a identidade e a paixão que emanam”, afirma Isabella.
Seja por meio de composições visuais ou sonoras, arquitetura e música têm em comum o propósito de provocar vivências sensoriais e emocionais, influenciando a percepção do espaço e do tempo.
A profissional precisava valorizar a paixão que seu cliente sente pelo rock. E como habitar em apartamento requer, ainda mais, o respeito para com os vizinhos no que diz respeito à acústica, seu desafio era montar um estúdio para que ele pudesse praticar sozinho ou reunido com os amigos nas horas vagas.
Em um dos dormitórios, ela resolveu questões técnicas e concebeu um décor temático, tal qual um barzinho no estilo: o rústico do tijolinho, a iluminação industrial e as placas e os pôsteres fixados na parede fizeram do ambiente um palco pessoal. “A magia está justamente em entregar um local onde nosso morador possa se expressar”, compartilha.
Considerada um símbolo do rock, quem ama o gênero faz questão de enaltecê-la. Por isso, no quarto compartilhado por dois irmãos, Isabela dedicou um lugar especial: ao lado da cama, o suporte na parede caracteriza a avidez pela música por um dos adolescentes.
No living de uma senhora apaixonada por música clássica, o piano de cauda se tornou o centro do espaço. Em harmonia com o piso amadeirado e a obra de arte que ocupa a parede, o ambiente aflora um clima de época, quando as famílias se reuniam às voltas do piano para apreciar as peças de compositores eternizados.
Na intimidade da sala, o violão repousa ao lado do painel da TV como parte da decoração. “Nem todo mundo precisa de um estúdio ou de um espaço exclusivo para a música. Às vezes, basta deixar o instrumento ao alcance de quem chega”, comenta.
Fotos: Julia Herman