Carlos Jose Berzoti, palestrante especializado no mercado imobiliário, destaca que trocar de apartamento deve ser uma tomada de decisão consciente, por isso é bom ter em mente como se dá esse processo. “A princípio, deve-se pensar como será dado o primeiro passo, será que vale a pena vender o imóvel que já tenho ou usá-lo como entrada no meu novo investimento?”, indaga. Para ele, apesar de poder haver uma depreciação no valor do bem, hoje em dia os mercados de vendas e crédito restrito estão gerando um grande movimento de permutas. “Antigamente a permuta era evitada por conta dos custos nas taxas de transferência, como cartório e ITBI, porém o hábito de se investir em imóvel tem aumentado e essa modalidade está sendo bem aceita”, lembra.
De acordo com Berzoti, outro ponto importante, é deixar todas as despesas do imóvel pagas, como condomínio e IPTU, evitando que a venda caduque. Ainda assim, existe a possibilidade da comercialização mesmo com algumas pendências, que normalmente são quitadas com o sinal da venda, já que essas despesas precisam estar pagas no ato da escrituração do imóvel em questão. “É válido lembrar, que esses fatores não prejudicam a venda, já que imóveis com financiamento imobiliário em andamento podem ser postos à venda. Tudo vai de acordo com a forma como a compra e venda está sendo feita”, sublinha.
A manutenção do imóvel também são pontos favoráveis para a venda; móveis planejados valorizam o espaço em até 10% no valor final e a conservação do espaço pode ser o ponto chave para que este processo seja mais tranquilo e rápido, explica ele. “Mesmo com esses fatores, tudo depende do preço que está sendo pedido e do quanto o comprador está interessado em investir. Algumas pessoas, inclusive, preferem imóveis para reforme, pois assim conseguem economizar para finalizar o ambiente da forma como quiserem”, ressalta.
Segundo ele, se você está pensando em realizar alguns reparos antes e colocar à venda, pense que vale a pena investir no máximo 10% do valor do imóvel, porque um valor maior pode ser difícil de se recuperar mesmo com a venda. “Então, o que acaba sendo mais vantajoso é manter o espaço como ele está e conceder essa porcentagem como um desconto na transação de venda”, salienta.
Documentação
A parte da documentação sempre parece ser mais chata e complicada, então vamos já pensar nela também. Berzoti explica que ao se efetuar a venda, a primeira consulta que o setor jurídico das imobiliárias faz, é analisar se os proprietários não têm restrição no Serasa e se eles possuem empresas em seu nome. “Na sequência, são checadas todas as certidões pessoais e ficais, além dos pagamentos de IPTU e Condomínio do imóvel – nos casos que hajam essa despesa. Em qualquer dos cenários, no ato da assinatura do contrato de compra e venda, toda essa documentação deve ser apresentada”, completa.
Restrições em nome dos vendedores nem sempre travam o negócio, tudo depende do que se trata. Além disso, existe a possibilidade dos vendedores possuírem mais do que um imóvel, ou bens pessoais que possam garantir eventuais prejuízos financeiros. Por esse motivo, antes de seguir em frente com o processo de venda é necessário consultar todas as informações disponíveis dos vendedores.