Durante a reunião ficou definido que será criado um grupo composto por vereadores, cuja finalidade será acompanhar as ações referentes à política municipal sobre drogas, e também o andamento do edital que escolherá as comunidades que contarão com recursos públicos.
Gevert lembrou que “no Brasil temos aproximadamente dez mil comunidades terapêuticas. Em Curitiba e região metropolitana são 80, que atendem duas mil pessoas, portanto o tema vai ao encontro do interesse público”, destacou.
Ubiratan da Silva, representante do grupo REAGE (Rede Cristã de Agentes em Proteção e Prevenção às Drogas) e funcionário da Câmara Municipal, acredita que é necessário maior diálogo entre o estado e as comunidades. “Um trabalho louvável é desenvolvido pelo Centro de Referência de Assistência Social do Parolin (CRAS Parolin) que busca agir em consonância com as comunidades terapêuticas que atuam na região”.
O psicólogo Flávio Lemos, representante da Associação das Comunidades Terapêuticas de Curitiba e Região Metropolitana (Compacta), acredita ser necessário que os usuários de drogas sejam tratados por meio do convívio, modelo adotado pelas comunidades, mas, segundo ele, o poder público optou por valorizar a abordagem hospitalar. “A portaria 131 de 2012, emitida pelo Ministério da Saúde criou um impasse, pois tipificou as comunidades na área de saúde, o que encerra os atuais convênios em vigor”, afirmou.
Para Marcelo Okimati da Secretaria Municipal de Saúde “as drogadições são várias e possuem características próprias que devem ser percebidas pelas muitas comunidades terapêuticas”. Segundo ele, o município não é deficitário no tratamento de dependentes: “Curitiba segue os parâmetros da política nacional de combate às drogas e os números são positivos”.
Representante da Fundação de Assistência Social (FAS), o pastor Antônio Rocha entende que há conflitos entre as normas em vigor, “o que é um obstáculo na medida em que dificulta a tipificação legal das comunidades terapêuticas”. Ele explicou que tal indefinição é um problema para a captação de recursos por parte destas entidades.
Bruno Otávio Litwinski, da Secretaria Municipal de Defesa Social destacou que o município reconhece a importância da atuação das comunidades terapêuticas. “O último edital promovido pela Prefeitura de Curitiba, na gestão anterior, só contemplou uma entidade em virtude de entraves de ordem administrativa, mas acreditamos que os próximos editais conseguirão abranger mais comunidades”.
Na visão de Carlos Alberto Peixoto, diretor adjunto do Departamento Estadual sobre Drogas do Paraná, “não há como negar que a abordagem religiosa contribui para o tratamento dos dependentes, independente do estado ser laico”, destacou.