Criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo preocupa profissionais da área

Com a Lei do CAU sancionada, as Coordenadorias das Câmaras de Arquitetura dos atuais CREAs e a Coordenadoria Nacional das Câmaras de Arquitetura do atual CONFEA gerenciarão o processo de transição e organizarão o primeiro processo eleitoral para o CAU nacional e para os CAUs regionais.

Na primeira eleição para o CAU/BR, o representante das instituições de ensino será estabelecido pela Coordenadoria Nacional das Câmaras de Arquitetura enquanto a eleição para os conselheiros do CAU/BR e dos CAUs deverá acontecer dentro de um prazo de três meses a um ano contados da publicação da Lei.

Segundo a Lei 12.378/10, as entidades nacionais dos arquitetos e urbanistas deverão participar do processo de transição e organização do primeiro processo eleitoral. Mas se de um lado profissionais de arquitetura e urbanismo comemoram a conquista, de outro há um certo receio, que vem a se misturar com a expectativa de criar não apenas uma entidade de classe, mas um modelo de associação para as já existentes.

Novo modelo administrativo

Para o arquiteto Frederico Carstens, sócio-diretor da Realiza Arquitetura, a primeira preocupação está na forma com que o CAU se erguerá depois de décadas de espera de toda uma classe profissional. Para Carstens observar as demais entidades de classe e aprender com elas, mesmo com os erros existentes é fundamental. “Como nós arquitetos podemos fazer com que esse conselho de arquitetura não repita os erros ou carregue os vícios das outras associações? A gente, como classe, reclama tanto das entidades, do CREA, dos políticos em geral. Então não podemos deixar de estar atentos a todo e qualquer procedimento que envolva a criação do CAU, que é um organismo político, mas precisa de um olhar administrativo prático e contemporâneo”, afirma o sócio-diretor da Realiza Arquitetura.

Até que ponto as associações ligadas à arquitetura, no momento encarregadas de implantar o CAU, estão atentas a detalhes frágeis encontrados em outras instituições e preparadas para a criação de um novo modelo administrativo?

Segundo o arquiteto Frederico Carstens apreensão é que o CAU não repita os erros de outras associações Divulgação

A visão dos arquitetos

Frederico Carstens observa, pelas manifestações que recebeu de colegas arquitetos, um certo descontentamento com o CAU, como por exemplo com relação a taxa anual, já estabelecida maior do que a então cobrada pelo CREA, e ainda uma preocupação relevante a respeito dos profissionais da área, que por mais competentes que sejam, não tem experiência na criação de uma entidade de tal porte.

Para Carstens, o ideal seria que os responsáveis pela criação do CAU contratassem consultorias sólidas, com experiência na realização de trabalhos similares de sucesso e capazes de garantir a blindagem contra os vícios comuns a estes tipos de associações.

Na opinião de Frederico Carstens, os principais vícios existentes nas associações vem de três situações. A primeira e a segunda seriam com relação às pessoas que estão à frente delas, que geralmente não possuem formação administrativa e política adequada e ainda estão muito distantes da realidade do profissional. A terceira é que “a movimentação nos conselhos é mais parecida com a politicagem que tanto abominamos, e as atitudes práticas são mais próximas a gincanas, sempre correndo atrás dos acontecimentos”, relata Carstens.

O resultado, segundo o sócio-diretor da Realiza Arquitetura, é que a defesa dos profissionais associados fica prejudicada e o afastamento da classe em relação a entidade é quase inevitável. Ainda de acordo com Carstens, esse cenário não ocorre por malícia, mas por descompasso entre as condições de cada um. “A estrutura de uma entidade de classe hoje colabora para a ocorrência de desperdícios, de uma visão míope do futuro próximo e dos desejos dos associados e ainda da sensação de que a entidade está sendo usada para fins de politicagem ou em benefício próprio de seus dirigentes ou até mesmo sugerindo indícios de casos de corrupção, independente deles virem a acontecer ou não”, completa o arquiteto.

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