O terreno, pertencente à família Canet há mais de 60 anos, vem sendo lapidado aos poucos desde o ano 2000. Nesse período, inúmeros técnicos especializados estiveram envolvidos no projeto, que contou com plano diretor desenvolvido pelo escritório do arquiteto Ricardo Amaral, sob a licença da prefeitura da cidade. “O Neoville chegou no momento certo, mas isso foi resultado do esforço conjunto de vários profissionais, que trouxeram ao plano de negócios o cenário atual”, afirma o diretor.
Atualmente, existem poucas áreas de grande porte com capacidade de ocupação imobiliária em Curitiba. Segundo Ricardo Bindo, supervisor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), “a área do Neoville é um dos últimos grandes vazios imobiliários da cidade”. Assim, uma expansão definitiva deve ficar a cargo da região metropolitana – como Colombo, São José dos Pinhais, Piraquara, Pinhais e Campo Largo. “Os demais pontos vazios existentes não têm esse mesmo perfil. São menores e possuem áreas verdes complicadoras”, afirma Bindo. O terreno do Neoville é dividido entre quadras com zoneamento para quatro ou seis pavimentos, podendo atingir até oito pavimentos em quadras especiais. Há ainda uma área industrial voltada aos condomínios empresariais e espaços para o comércio, construção de escolas, supermercados e shoppings centers, com ocupação regimentada pelo Código de Construção vigente.
Antes da implantação do Neoville, a área era um grande vazio urbano, cortado por uma avenida sem uso e sem ruas perpendiculares. O empreendimento máster, que fará nascer várias outras iniciativas imobiliárias para atender ao consumidor de imóveis curitibano, já recebeu investimentos de cerca de R$10 milhões em infraestrutura – pavimentação, saneamento, iluminação pública e drenagem. “De 2007 para cá, desde a venda do primeiro lote, já houve uma valorização de mais de 100%. Para o próximo biênio, estimamos um crescimento de 40%, principalmente em virtude da migração originária de bairros como Pinheirinho, Hauer, Boqueirão, Fazendinha e Xaxim”, coloca Canet. No entanto, a atratividade, segundo o diretor, já foi detectada em grande percentual até mesmo de moradores de bairros mais distantes, como os da região norte da capital.
Ocupação
O Neoville preenche um espaço urbano que faz fronteira com vários bairros e com a região industrial. Assim, é clara a vocação para as classes B, C e D. “A ocupação deve acontecer de modo distinto, porém, com o objetivo de melhorar e estimular a região”, completa Canet. Caso similar aconteceu na década de 1990 em Curitiba, com o Ecoville, que transformou o Mossunguê em um bairro com novas diretrizes, com empreendimentos voltados para as classes A e B. O projeto também despertou o interesse do comércio, que compareceu com novos investimentos. “Outros exemplos são as ocupações ocorridas no Bairro Novo, na década de 1990 e no Tatuquara, nos anos 2000”, avalia o supervisor do IPPUC.
A ocupação deve ocorrer de forma gradual. Segundo estimativas do Grupo Canet, o Neoville estará completo em uma década de projetos e desenvolvimento urbano. “A infraestrutura deve ser finalizada dentro de mais dez meses de obra. Então, os empreendimentos imobiliários serão construídos de modo ordenado e planejado”, explica o diretor.
Entorno
O Neoville, localizado em uma área com entorno privilegiado, é servido por importantes vias da região sul da cidade, tais como a Avenida Juscelino Kubitschek (Contorno Sul), a Avenida das Indústrias, a Avenida João Bettega, a Rápida do Portão e a República Argentina. Há ainda a Linha Verde – binário cujo objetivo é fazer a “costura” entre dois opostos da cidade – que atende o Pinheirinho, um dos bairros confluentes do novo empreendimento.