Para homenagear as mulheres que se destacam no mercado de trabalho, por sua competência, estudo e dedicação, trazemos os depoimentos de três mulheres de sucesso.
A trajetória da Desembargadora Regina Helena Afonso de Oliveira Portes, demonstra muito bem as conquistas que as mulheres vem alcançando no campo profissional. Formada em direito pela UFPR, em 1971 atuou como advogada nas áreas criminal, cível e família no período de 1972 a 1992, quando foi nomeada juíza do Tribunal de Alçada do Paraná. Em 1999 foi nomeada 1ª Desembargadora do Tribunal de Justiça do Paraná. E hoje é a 1ª presidente mulher, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná – TRE.
A Desembargadora Regina conta que as dificuldades iniciais eram inerentes ao trabalho num ambiente nitidamente masculino. O Tribunal tinha 50 componentes sendo 49 homens e 01 única mulher. Encontrou certa resistência pois, uma mulher poderia chegar para inibir a liberdade masculina, na abordagem de certos temas. Sua capacidade, conhecimento e técnica nunca foram questionados. Venceu a resistência após alguns meses e passou a contar com 49 “irmãos” que a protegiam, em uma fraternidade absoluta. Nos primeiros tempos de advocacia havia uma certa perplexidade quando uma mulher enfrentava um tribunal pleno, entrava no gabinete dos juízes, fazia uma sustentação oral. Atuante na área do Direito de Família e, ciente dos problemas enfrentados pelas mulheres, tornou-se membro do IBDFAM (onde está até hoje), tendo participado de Comissões dos Conselhos Estadual e Municipal da Mulher.
Os avanços da legislação resguardando os direitos das mulheres são muitos. “Considero, dentre tantos, importantes para a independência da mulher: a Lei do Divórcio, as leis que regulamentam a união estável, a paternidade e também a criação de delegacias especializadas no atendimento da mulher”, destaca a Desembargadora Regina.
Considera que o trabalho fora de casa permitiu, à mulher, uma liberdade de viver. “A mulher não fica mais sujeita ao jugo masculino, presa a uma situação conjugal difícil por não ter uma profissão. A luta da mulher para ingressar no mercado de trabalho é árdua, mas está dando resultados positivos”, continua.
Para a Desembargadora, conciliar vida profissional e família não é tarefa fácil. É um aprendizado que as mulheres “dão conta”. Não deve haver culpa. Perde-se o contato com pessoas queridas por falta de tempo, em alguns casos, mas sabendo organizar-se, é possível estudar os processos, fazer academia, ir ao mercado e cuidar dos filhos. “Minha filha ia comigo ao escritório, aos domingos, quando eu tinha algum trabalho urgente para terminar e ficava brincando a tarde toda”, relembra, afirmando que o resultado é sempre positivo.
Acredita que o dia internacional da mulher tem valor como marcação história de um fato. Considera-se uma iniciadora em um processo de abertura e um estímulo para as outras mulheres.
Deixa uma mensagem de esperança e incentivo a todas as mulheres que exercem as mais diversas funções e, aconselha a não desistirem face aos percalços do caminho. “As mulheres devem lutar para avançar, ganhar posições no mercado de trabalho, mantendo a dignidade, o respeito pessoal sem nunca perder a feminilidade”, encerra.
Na profissão há 18 anos, a Procuradora Vera Grace Paranaguá Cunha, atualmente é também presidente da Associação dos Procuradores do Paraná – APEP. Como tantas mulheres de sua geração, casou-se jovem, aos 22 anos, já formada em Direito e seguiu o marido, magistrado, pelo interior do Paraná.
Sempre teve como objetivo fazer uma carreira independente e via na carreira pública uma opção interessante. Passados 10 anos, preparou-se por um ano para o concurso da Procuradoria, sendo aprovada.
Não acha difícil conciliar vida profissional com vida privada. “Você tem que ter sabedoria para priorizar, perceber o momento em que as coisas são importantes”, comenta a Dra. Vera. A dupla jornada é uma opção e, a relação com os filhos deve ser de qualidade e sem culpas. “Meu marido sempre me estimulou para abraçar uma carreira própria. É grande incentivador de meus projetos e fonte de grande estímulo”, elogia.
Vera tem um posiciona-mento muito claro quanto ao papel da mulher no mercado de trabalho. Acredita que não deve haver diferença entre homem e mulher no exercício das funções. “A sociedade absorveu bem o papel da mulher. Ela exerce um trabalho intelectual, mais especializado, no caso da área jurídica, por exemplo, onde não há diferenciação de salário e jornada de trabalho. Tudo que se exige de um é exigido do outro”, explica.
Acredita que para que as mulheres se destaquem, e tenham oportunidades muito já foi feito. Os avanços são visíveis nos postos de trabalho, mas é preciso que a mulher não se sinta culpada e que saiba lidar de uma maneira sem excesso de competição com o sexo oposto. “Devemos conviver, cada um com seus papéis, sempre respeitando as diferenças, diz a Procuradora, que encerra afirmando que todo o dia é dia da mulher.
Rogéria Dotti, advogada formada pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná em 1993, mestre em Direito Processual Civil, atualmente é Presidente do Instituto dos Advogados do Paraná. Atua nas áreas do Direito Civil, Processual Civil e Comercial.
Em 17 anos de profissão Rogéria é exemplo de mulher que vive os desafios de conciliar carreira e família. Sempre teve o sonho de trabalhar em uma área voltada para os livros. Pensou em jornalismo, mas a influência de seus pais advogados falou mais alto e optou pelo curso de Direito. “É gratificante poder ajudar as pessoas, atenuar o sofrimento delas, entender as necessidades do cliente”, afirma. Para desenvolver um trabalho sério a mulher tem que se desdobrar para cumprir as obrigações profissionais sem deixar de lado a família. Mãe de um menino de 8 anos e outro de 4, confessa que a culpa pela ausência deve ser compensada com carinho, compreensão e momentos de qualidade quando estão juntos.
Rogéria acredita que houve um crescimento intelectual entre as mulheres, o que fez aumentar o número de mulheres nas faculdades e assumindo cargos de chefia nas organizações. “A mulher deve marcar posição como resultado de sua capacidade”, enfatiza.
Nunca sentiu preconceito pelo fato de ser mulher e trabalhar num mundo antes em sua maioria masculino, hoje nem tanto. Acredita que não deva haver competição entre os sexos e, que a mulher deve ser independente profissional e financeiramente.
Rogéria cita a Dra. Teresa Arruda Alvim Wambier, relatora do anteprojeto de alteração do Código de Processo Civil, como pessoa na qual se espelha muito. É mais um exemplo de mulher forte, bem sucedida e que presta relevantes serviços à sociedade.
Lutar pelos sonhos onde quer que estejam: na família, na profissão ou em ambos, em busca da realização pessoal é a mensagem que a Dra. Rogéria Dotti deixa para todas as mulheres, no mês em que se comemora o “dia internacional da mulher”.
O Jornal O Morador, ao destacar os depoimentos dessas três mulheres, quer, também, homenagear todas as mulheres que, diariamente, lutam por seu crescimento pessoal e por uma vida melhor.


