O projeto começou a ser implantado em 2008 e, desde então, o número de comunidades interessadas em aderir a proposta só cresce. Em Londrina, por exemplo, são 10 bairros na fila aguardando a operacionalização da metodologia.
Pioneira no município, a Vila Recreio já executa ações em parceria com órgãos públicos e empresários. A reforma da praça no bairro envolveu moradores, estudantes de arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), além da prefeitura. A execução da obra está programada para começar em 2010. Além de um curso de culinária direcionado para senhoras que foi realizado em parceria com uma empresa do bairro, a comunidade busca recursos para transformar um antigo módulo policial em uma biblioteca.
Em Maringá, os moradores do Ney Braga promoveram palestras sobre cidadania para mais de 400 alunos nas escolas do bairro e, entre outras ações, a população local conseguiu melhorias na segurança e na iluminação pública.
Em Ponta Grossa os primeiros passos rumo ao futuro desejado pelas comunidades das Vilas Santana e Barreto mostraram que as prioridades nem sempre envolvem questões de infraestrutura. A preocupação dos moradores foi ocupar o tempo livre das crianças e adolescentes com atividades educacionais e esportivas. Os projetos envolvem aulas gratuitas de Taekwondo, uma fanfarra e escolinhas de futebol. “Se nós não fizermos, o futuro que vai chegar não vai ser aquele que nós queremos. Mais importante que os recursos financeiros são os recursos sociais. É o nosso capital social. É a capacidade que nós temos de nos entender, liderar um tipo de ação positiva a partir da cooperação de todos nós. Esse é o combustível principal do desenvolvimento local, aonde a comunidade coopera há desenvolvimento, aonde ela não coopera, não há”, afirma o professor, analista político e consultor da Rede, Augusto de Franco.
O projeto consiste na construção de uma agenda positiva de ações que contemple a localidade por meio da articulação dos moradores com empresários, entidades e poder público. Nos primeiros meses a comunidade interna é quem participa ativamente implementando a metodologia. Sonhar com um lugar melhor para se viver, numa perspectiva para 10 anos, e identificar os ativos e as necessidades do local são algumas das etapas executadas no projeto. “O desenvolvimento é sempre um crescimento de habilidades permanentes. O verdadeiro desenvolvimento humano, social, sustentável, é uma coisa que vem de nós. Não é o dinheiro que gera desenvolvimento, é o desenvolvimento que gera dinheiro”, destaca Franco.
De acordo o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, a ideia é expandir a proposta para mais bairros de Curitiba e Região Metropolitana (Atualmente duas comunidades trabalham com a metodologia: São Braz e Jardim Santos Andrade). Para isso, 30 agentes de desenvolvimento estão sendo capacitados. Para Rocha Loures, este processo que envolve os tripés da sociedade, liderado pela comunidade, mostra que uma nova política é possível. “Uma política pública e resgatando o verdadeiro sentido da palavra. Política vem de polis – assuntos das cidades. O conceito foi desvirtuado e passou a servir de grupos de interesses, setores, quando não a projetos pessoais. E o resgate se dá através da interação, da mobilização, da participação, dar nosso lado de cidadão. Todos nós temos esse lado social e uma forma de exercitar isso em sua plenitude é participando de movimentos de desenvolvimento local”.
No Estado, o Projeto Político de Desenvolvimento das Cidades do Paraná já foi implantado ou se encontra em fase de implantação nos municípios de Curitiba, Ponta Grossa, Maringá, Londrina, Guarapuava, Reserva do Iguaçu, Pinhão, Paranavaí, Campo Mourão, Cascavel, Toledo e Marechal Cândido Rondon. O processo impacta cerca de 200 mil pessoas.
Para conhecer a metodologia e mais detalhes sobre o projeto acesse http://www.rededeparticipacaopolitica.org.br/desenvolvimentocidades/