Negócios

Este é um bom momento para comprar imóveis?

Por Tiago Galdino, bacharel em Administração de com especialização em negociação e liderança, na Harvard University

O cenário atual, entretanto, já pode ser considerado mais promissor. Mesmo com a retomada singela da economia, este é um momento de oportunidades. Para quem tem registro em carteira de trabalho (CLT) e, ao menos, três anos de FGTS acumulado, pode ser a hora de pensar em adquirir o primeiro imóvel.

Mas, para quem não tem dinheiro vivo para comprar à vista, a primeira alternativa que vem a mente é, sem dúvida, financiar. E, nesse sentido, temos boas notícias. Em 2018, as linhas de crédito para a compra de imóveis voltaram a ficar mais acessíveis para a pessoa física. Recentemente, a Caixa Econômica Federal, um dos principais agentes financeiros impulsionadores do mercado imobiliário, aumentou o limite da cota de financiamento de um imóvel usado de 50% para 80%, o que significa um “respiro” na hora de dar a tão suada entrada do bem. Para as unidades novas, o percentual permaneceu em 80%. As taxas nominais também apresentaram queda, fator que contribui para a compra de bens duráveis em operações de longo prazo.

Antes de fechar negócio, também é importante se certificar das taxas administrativas que serão cobradas pela instituição escolhida. Cada banco, por exemplo, possui a sua própria tabela de custos, que pode variar de um para outro, significativamente. Esta informação, normalmente, está escondida no rodapé do contrato, portanto, questione antes de dar sequência ao pedido do empréstimo.

Tomada a decisão, a primeira etapa para a liberação de um financiamento é a análise cadastral, que é praxe em todas as instituições financeiras. Nesta avaliação será levada em conta a situação de crédito do tomador, ou seja, se possui restrições financeiras, como apontamentos no SPC e Serasa, se possui vínculo empregatício formal, qual a sua remuneração mensal e variável, endereço fixo e referências.

É preciso reforçar, porém, que mesmo em tempos de condições favoráveis, o comprador não pode deixar de avaliar a sua verdadeira condição financeira e a necessidade real de adquirir este imóvel. Assumir um crédito imobiliário, sem estar plenamente consciente da responsabilidade e do peso desta dívida, é prejuízo na certa. Portanto, é imprescindível que o consumidor analise o quanto realmente tem de recurso disponível para a entrada, qual o saldo atual de que pode dispor no FGTS e qual o percentual de seu salário que está livre para o pagamento das parcelas. As instituições financeiras normalmente permitem comprometimento de no máximo 30% da renda mensal com pagamento do financiamento.

Aqui, também é necessário estar de olho bem aberto! Ao comprar uma cota de consórcio é essencial conhecer a procedência da companhia administradora e, sobretudo, analisar o histórico de lances já contemplados. É importante verificar os custos ao longo do tempo, como taxas administrativas, valor mínimo dos lances, calendário de sorteios etc. O consumidor deve estar ciente de que, ao aderir a um grupo de consórcio imobiliário, dificilmente o bem será obtido no primeiro lance.

Resolvida a questão do valor a investir, como escolher um bom imóvel, pagando por ele um preço justo? O mercado imobiliário é regido, sobretudo, pela lei da oferta e procura. Este movimento é constante, pois, independentemente de estarmos vivendo em tempos de crise, as pessoas continuam se casando, se divorciando e muitos filhos permanecem sonhando com o momento de sair da casa dos pais. Então, o segmento sempre tem demanda, que pode ser forte, moderada ou fraca, de acordo com o momento financeiro do País. Quando a oferta de crédito é maior ou os preços dos imóveis estão mais baixos, a busca aumenta e logo os valores também, iniciando um novo ciclo, como uma roda gigante.

Concluindo, este é um excelente momento para comprar um imóvel nos últimos cinco anos. Economia voltando a crescer, taxa básica em níveis baixos, instituições financeiras dispostas a financiar e as pessoas ainda almejando morar no que é seu. Além disso, construtoras com estoque alto de lançamentos e imóveis usados vazios há algum tempo são fatores que elevam o poder de barganha de quem deseja comprar. Então, para que esperar? Que tal realizar este sonho ainda em 2018?

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