Compra de imóvel através de leilão pode se tornar pesadelo

Preços atraentes e facilidades para conseguir financiamento têm levado muitas pessoas a optar pela compra do imóvel em leilões. Apesar de parecer uma boa oportunidade, o imóvel de leilão traz riscos ao comprador que pode, inclusive, enfrentar o pesadelo de se ver obrigado a devolver o imóvel.

O alerta é da Associação Nacional dos Mutuários do Paraná que ressalta a importância da pesquisa na compra de imóvel, já que hoje cerca de 85% dos imóveis leiloados pela Caixa Econômica Federal estão ocupados.

Apesar de boas oportunidades, leilões podem trazer dor de cabeça depois da martelada finalApesar de boas oportunidades, leilões podem trazer dor de cabeça depois da martelada final

Muitas vezes são oferecidos imóveis de mutuários com processos judiciais pedindo a revisão de parcelas do financiamento. Ignorando os resultados das decisões, o banco executa extrajudicialmente os imóveis e os leva a leilão. Se o pedido de revisão das parcelas tem resultado favorável ao ex-proprietário, este recebe o direito de retornar ao imóvel. Em casos de decisão judicial para reintegração de posse ao mutuário original, o juiz deixa claro que o arrematador, na ocasião do leilão, “sabia que corria risco, adquirindo o imóvel dessa forma”.

Por este motivo, o presidente da Associação Nacional dos Mutuários do Paraná, Luiz Alberto Copetti tem alertado as pessoas interessadas na compra da casa própria através de leilões, para que redobrem os cuidados, afim de evitar dores de cabeça. “Hoje, por exemplo, 85% dos imóveis leiloados pela Caixa Econômica Federal estão ocupados. É risco para quem comprar porque somente o comprador pode tirar as pessoas de dentro do imóvel. Tudo corre por sua conta e risco”, disse Copetti.

A ANM-PR ressalta a importância da pesquisa na compra de imóvel retomado de antigos mutuários devido à inadimplência e defende a suspensão dos leilões no caso dos imóveis ocupados. “Há estudos de uma resolução por parte do governo federal proibindo leilões de imóveis ocupados. Por enquanto, a melhor recomendação é não participar de leilão de imóvel ocupado”, explica Copetti.

CUIDADOS

Para ele, apesar dos leilões oferecem boas oportunidades, merecem a mesma atenção dada à compra de imóveis através de corretores e imobiliárias. “Como em uma compra usual, é preciso validar, por exemplo, as referências do imóvel, sua situação perante a justiça e seu estado de conservação. Ler com atenção o edital, por vezes repleto de letras miúdas, é de suma importância”, disse.

Nos leilões, aponta Copetti, o comprador deve ficar atento porque arca com mais despesas: paga mais 5% de comissão ao leiloeiro, o ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Intervivos) e a taxa de registro do imóvel. “Preços muito baixos podem significar pendências judiciais, situação irregular ou bem inacabado. Desconfie. Entrar nessa pode significar leilão anulado e a cobrança de mais despesas como, por exemplo, com a desocupação”.

O Morador  Online  - Todos os direitos reservados - Desenvolvido por MMV
Fone: 41 - 3333-8017